EL NIÑO E SEUS POSSIVEIS IMPACTOS EM 2026


El Niño é um fenômeno climático que ocorre quando as águas do Pacífico Tropical se esquentam de forma anormal, desencadeando uma série de efeitos colaterais que alteram o clima de regiões situadas a milhares de km de distância. O aquecimento e o padrão atmosférico que o acompanha se chama El Nino, uma das fases extremas do ciclo conhecido como ENSO (El Nino-Southern Oscillation), que também inclui o outro extremo, La Niña - a fase fria -. o conjunto de oscilações ENSO influência padrões de clima globais, causando mudanças na precipitação, pressões ao nível do mar, e ventos ao redor do mundo.
As consequências afetam a agricultura, pesca, gestão da água e a frequência de fenômenos meteorológicos extremos nos cinco continentes.
Porque El Niño acontece:
Periodicamente, os ventos alísios (vento constante e úmido que tem ocorrências em zonas subtropicais em baixas altitudes e provocam grande incidência de chuvas) ficam debilitados ou se invertem. Sem eles, a massa de água cálida fica acumulada no pacífico Ocidental e migra para o centro do oceano. As temperaturas superficiais do mar na região do El Niño ascendem pelo menos 0,5 °C acima da média por vários meses consecutivos. A atmosfera responde a esse aquecimento, fazendo com que a convecção profunda (formação de grandes tormentas) vá em direção ao Pacífico Central, alterando a posição de correntes, padrões de chuva e temperatura no planeta.
IMPACTOS GLOBAIS
América do Sul.
Costa Ocidental; chuvas torrenciais, inundações, colapso da pescaria de anchovas. Sul do brasil, Uruguay, norte da Argentina: aumento de precipitação. Colômbia, Venezuela: seca, redução do nível dos rios.
América do Norte.
Sul do EUA: invernos úmidos. Norte de EUA e canada: invernos cálidos e secos. Mexico: seca no Centro Sul, aumento de chuva no Noroeste.
Europa e Mediterrâneo.
Efeitos sutis, porém, podem ocorrer invernos mais frios e secos no Norte da Europa, e outonos-invernos mais chuvosos no Mediterrâneo Ocidental.
Asia e Oceania.
Australia; seca severa e risco de incêndios florestais.
Indonesia, Filipina, Malasia: seca, incendios florestais.
Africa.
África Oriental: aumento de precipitação e de inundações.
África Austral: seca, redução de colheitas de milho.
Episódios históricos registrados datam a partir de 1982-83 até 2023-24.
Os episódios de El Niño amplificam temporariamente o aquecimento global, e costuma reduzir atividade ciclônica no Atlântico, causando o efeito inverso no Pacífico Oriental.
IMPACTOS DOMESTICOS
Seca vegetativa e impactos na cultura familiar em regiões Norte e Nordeste.
Impacto em recursos hídricos com déficit na região Norte e Nordeste. A duração dos impactos depende da condição e tamanho das bacias. Há prováveis excessos hídricos no Sul do Brasil.
Maior probabilidade de eventos extremos de chuva na região Sul, com destaque nos estados de RS e SC.
No ano de 2026, o evento El Niño irá se estender até 2027, porém não há evidências que definam sua intensidade.
O que o Estado e a população devem fazer:
Estado
Atualizar mapas de áreas de risco municipais.
Revisar planos de contingência e treinar equipes de Defesa Civil.
População
Moradores de áreas de risco: identificar rotas de evacuação e baixar aplicativos oficiais da Defesa Civil.
Agricultores: consultar zoneamento agrícola de risco climático antes do próximo plantio.
Todos: economizar água e energia neste segundo semestre e necessário para evitar apagões.
El Niño potencializa os eventos extremos provocados pelo aquecimento global, porém, segundo o pesquisador de divisão de modelagem numérica do sistema terrestre, Gilvan Sampaio enfatiza a necessidade de colocar a mudança do clima à frente do El Niño no rol de preocupações climáticas.
Ona Meneses Goeldi.
Fontes: Columbia unversity, NOAA, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Brasil.


