EL NIÑO E SEUS POSSIVEIS IMPACTOS EM 2026

10/3/2026

El Niño é um fenômeno climático que ocorre quando as águas do Pacífico Tropical se esquentam de forma anormal, desencadeando uma série de efeitos colaterais que alteram o clima de regiões situadas a milhares de km de distância. O aquecimento e o padrão atmosférico que o acompanha se chama El Nino, uma das fases extremas do ciclo conhecido como ENSO (El Nino-Southern Oscillation), que também inclui o outro extremo, La Niña - a fase fria -. o conjunto de oscilações ENSO influência padrões de clima globais, causando mudanças na precipitação, pressões ao nível do mar, e ventos ao redor do mundo.

As consequências afetam a agricultura, pesca, gestão da água e a frequência de fenômenos meteorológicos extremos nos cinco continentes.

Porque El Niño acontece:

Periodicamente, os ventos alísios (vento constante e úmido que tem ocorrências em zonas subtropicais em baixas altitudes e provocam grande incidência de chuvas) ficam debilitados ou se invertem. Sem eles, a massa de água cálida fica acumulada no pacífico Ocidental e migra para o centro do oceano. As temperaturas superficiais do mar na região do El Niño ascendem pelo menos 0,5 °C acima da média por vários meses consecutivos. A atmosfera responde a esse aquecimento, fazendo com que a convecção profunda (formação de grandes tormentas) vá em direção ao Pacífico Central, alterando a posição de correntes, padrões de chuva e temperatura no planeta.

IMPACTOS GLOBAIS

América do Sul.

Costa Ocidental; chuvas torrenciais, inundações, colapso da pescaria de anchovas. Sul do brasil, Uruguay, norte da Argentina: aumento de precipitação. Colômbia, Venezuela: seca, redução do nível dos rios.

América do Norte.

Sul do EUA: invernos úmidos. Norte de EUA e canada: invernos cálidos e secos. Mexico: seca no Centro Sul, aumento de chuva no Noroeste.

Europa e Mediterrâneo.

Efeitos sutis, porém, podem ocorrer invernos mais frios e secos no Norte da Europa, e outonos-invernos mais chuvosos no Mediterrâneo Ocidental.

Asia e Oceania.

Australia; seca severa e risco de incêndios florestais.

Indonesia, Filipina, Malasia: seca, incendios florestais.

Africa.

África Oriental: aumento de precipitação e de inundações.

África Austral: seca, redução de colheitas de milho.

Episódios históricos registrados datam a partir de 1982-83 até 2023-24.

Os episódios de El Niño amplificam temporariamente o aquecimento global, e costuma reduzir atividade ciclônica no Atlântico, causando o efeito inverso no Pacífico Oriental.

IMPACTOS DOMESTICOS

  • Seca vegetativa e impactos na cultura familiar em regiões Norte e Nordeste.

  • Impacto em recursos hídricos com déficit na região Norte e Nordeste. A duração dos impactos depende da condição e tamanho das bacias. Há prováveis excessos hídricos no Sul do Brasil.

  • Maior probabilidade de eventos extremos de chuva na região Sul, com destaque nos estados de RS e SC.

No ano de 2026, o evento El Niño irá se estender até 2027, porém não há evidências que definam sua intensidade.

O que o Estado e a população devem fazer:

Estado

  • Atualizar mapas de áreas de risco municipais.

  • Revisar planos de contingência e treinar equipes de Defesa Civil.

População

  • Moradores de áreas de risco: identificar rotas de evacuação e baixar aplicativos oficiais da Defesa Civil.

  • Agricultores: consultar zoneamento agrícola de risco climático antes do próximo plantio.

  • Todos: economizar água e energia neste segundo semestre e necessário para evitar apagões.

El Niño potencializa os eventos extremos provocados pelo aquecimento global, porém, segundo o pesquisador de divisão de modelagem numérica do sistema terrestre, Gilvan Sampaio enfatiza a necessidade de colocar a mudança do clima à frente do El Niño no rol de preocupações climáticas.

Ona Meneses Goeldi.

Fontes: Columbia unversity, NOAA, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Brasil.